A IRREVERÊNCIA DA ARTE

2–3 minutos

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Archidy Picado

O tão discutido quadro de Marcel Duchamp, “O Nu Descendo uma Escada”, pintado em 1912, no qual o autor nos fala do dinamismo da vida, parece ser um ponto final na longa e eloquente trajetória das artes plásticas até o início deste século. Que mais se poderia inventar numa superfície plana limitada por duas dimensões? O cinema, como arte, já começava a se firmar perante um público cada vez mais exigente. O Nu, havia sido executado como uma cronofotografia, descrevendo as diferentes etapas do corpo humano ao descer de uma escada. 

Em 1917, Duchamp, o homem que haveria de revolucionar toda a arte norte-americana, o artista que havia sido ignorado em sua própria terra, enviou um urinol entitulado “Fonte” ao Salão dos Independentes em Nova York. Tratava-se de um dos ready made já realizado por ele e elevado a categoria de “obra de arte pela única e exclusiva vontade do artista”. Segundo ele mesmo, “apesar de toda  a aparência o artista age de modo mediúnico, num labirinto além do tempo e do espaço, em busca de uma clareira”. Para Marcel Duchamp, a criação não deveria ser nem uma peça de museu, nem tampouco uma fonte de lucro, mas pura atividade espiritual. 

Sem dúvida Marcel Duchamp não poderia deixar de ter participado de quase todos os grandes movimentos da arte moderna, sobretudo do dadaísmo (um grito de rebeldia contra a institucinalização da arte) e do surrealismo cujo expoente máximo não poderia deixar de ser o pintor espanhol Salvador Dalí. Muito cedo ainda Duchamp abandonaria a pintura estática e para ele agonizante a fim de se dedicar aos seus jogos satíricos, porém suficientemente criativos. Admirado até mesmo pelo extravagante e célebre Dali, Duchamp foi efetivamente quem proferiu a última palavra em arte no mundo. Depois dele, tudo é apenas repetição, sendo a originalidade uma verdadeira impossibilidade. Houve quem afirmasse que a arte da expressão pict[orica não mais existia. 

Em sua irreverência e numa atitude nitidamente iconoclasta em referência à arte, Marcel Duchamp mostrou-nos outros caminhos que poderiam ser tomados pelos novos artistas. A partir dele, surgiram diversos movimentos e escolas, como a Anti-Arte, a Arte Cinética, a òtica, a Arte de Sucata, além de outras, como O Realismo, a Pop Arte e quem sabe Deus o que mais se poderá inventar, com os novos dispositivos tecnológicos, como o raio Laser e o computador. 

Atualmente estamos próximos ao fim do século XX, perplexos diante do avanço incontestável da ciência. 

Se penetrarmos mais profundamente no microcosmos e no macrocosmo não pode a arte nem o homem permanecerem num conservadorismo estéril e absolutamente anacrônico.

Eis aí uma grande questão a ser resolvida pelas novas gerações de artistas: Como sair do impasse que já vem se arrastando desde o início do nosso século?

Sem data

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado O tão discutido quadro de Marcel Duchamp, “O Nu Descendo uma Escada”, pintado em 1912, no qual o autor nos fala do dinamismo da vida, parece ser um ponto final na longa e eloquente trajetória das artes plásticas até o início deste século. Que mais se poderia inventar numa superfície plana limitada por…

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