A SANTA CEIA

2–3 minutos

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Archidy Picado

A célebre obra de Leonardo da Vinci tem se tornado ao longo dos séculos uma pintura tão conhecida, reverenciada e infelizmente popularizada através de versões, cópias extremamente mal executadas e sem que tenham o menor vislumbre de genialidade que é encontrado no original.

Foi Ludovico, o Mouro, quem pediu a Leonardo a execução pictórica da Santa Ceia numa das paredes do refeitório do convento dos dominicanos de Santa Maria das Graças.

O fabuloso afresco (pintura realizada em argamassa enquanto úmida) foi arrebentada parcialmente quando abriram uma porta no refeitório, atingindo-o na sua parte inferior. O gênio de Leonardo parece ter desaparecido desta obra, diante das subsequentes tentativas de restauração por mãos inábeis e medíocres as quais inutilmente desejavam lutar contra a umidade destruidora.

Há os que afirmam que o autor da Ceia, deixada inconclusa a figura de Cristo que sentado à mesa, numa atitude de submissçao aos sesígnios celestes, estende as mãos e anuncia a patética frase: “Um de vós haverá de metrair”. Andrea del Sartro, que tão bem compreendeu a magnitude sublime de Leonardo, também pintou uma Ceia para o mesmo refeitório, em Florença, onde se encontrava O Batismo de Cristo de Verrocchio – mestre de Leonardo.

 Antes, Ghirlandaio e Andre del Castagno haviam realizado sua pintura do acontecimento evangélico, mas nada que se comparasse ao produto de um raríssimo talento.

Como Ludovico desejava transformar a Santa Maria das Graças numa igreja da família, Leonardo apressou-se em terminar o enorme afresco num prazo de três anos. Para representar a personalidade divina de Jesus, da Vinci lê o evangelho, entre os quais os de filosofia grega. Tratava-se do grande momento e Simão perguntava  a João, o discípulo amado, quem, entre os que ali se encontravam, ousaria ostentar a vilania de trair o mestre. Todos, em grupos de três, tomados de surpresa e pânico. A declaração é sentenciosa irrevogável. 

Os desenhos, estudos e pesquisas que precederam a execução da Ceia são valiosos e até mesmo indispensáveis a um melhor entendimento de todo o plano do afresco. Num deles, Leonardo desenhou um dos apóstolos com os seus braços e cabeça estendidos sobre a mesa, numa clara atitude de desespero e abandono.

Da Vinci andava com um livro de anotações e esboços e nele procurava incessanetemente registrar os futuros personagens de A Santa Ceia. Entretanto faltava incluir na composição a figura de Judas, quando após caminhar incessantemente pelos albergues mais sórdidos da cidade, irritado com a interferência dos padres, para que terminasse o mais cedo possível a Ceia conseguiu afinal encontrar o que procurava.

Segundo se diz, Leonardo deixou propositalmente o Cristo inacabado por não ter verificado depois que havia pintado Tiago e seu irmão com tanta sublimidade, o que tornava impossível destacas as faces do Nazareno.

A Santa Ceia foi terminada em 1498, apesar das vicissitudes pelas quais atravessava, cometidas em nome da indiferença, do descaso, da discídia e irreverência de bárbaros invasores militares. 

Contudo, Napoleão Bonaparte teve a ombridade de defender os patrimônios contra as pilhagens de uma maioria esmagadora.

Sem data

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado A célebre obra de Leonardo da Vinci tem se tornado ao longo dos séculos uma pintura tão conhecida, reverenciada e infelizmente popularizada através de versões, cópias extremamente mal executadas e sem que tenham o menor vislumbre de genialidade que é encontrado no original. Foi Ludovico, o Mouro, quem pediu a Leonardo a execução…

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