A SEMANA DE ARTE MODERNA

2–3 minutos

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Archidy Picado

A arte moderna chegaria ao Brasil com bastante atraso. Não havia evidentemente os meios de comunicaçãoo que existem hoje e tudo que fosse vanguardismo não encontraria muita receptividade nas camadas sociais conservadoras de uma república relativamente nova. Diga-se de passagem que a Missão Francesa mandada viar ao Brasil por D. João VI, constituiu num verdadeiro retrocesso artístico a um neo-classicismo agonizante. Pelo menos restou o talento e a erudição de Jean Baptista Debret que não somente ensinou aos brasileiros como se desenhava mas também gravou em estampas extraordinárias que revelam os nossos costumes no tempo dos Braganças. 

Quem realmente nos libertou das cadeias do academicismo foi o italiano Eliseu Visconti através de seu impressionismo. Depois dele, uma mulher, Anita Malfatti, ao lado de Victor Brecheret, escultor, autor do projeto “Monumentos às Bandeiras” que se encontra atualmente no parque do Ibirapuera, Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi, Leão Veloso, mais tarde apareceria Tarsila do Amaral que ilustraria o livro de Mário de Andrade “Pau-Brasil” e se fixaria como uma das maiores artistas da época, ex-aluna de André Lhonte em Paris, – a propósito, eu mesmo tive a oportunidade de assistir algumas aulas de um aluno do atelier do famoso cubista francês, que na década de cinquenta visitou o Centro de Artes Plásticas da Paraíba.

O grande acontecimento da Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, de 13 a 17 de fevereiro de 1922. A Arte Moderna já se consagrara na Europa desde o início do século XIX.

Na literatura, citamos os nomes de Oswald de Andrade, depois Manoel Bandeira, Ronald de Carvalho e Graça Aranha, sem esquecermos a participação do autor de “Macunaíma”, Mário de Andrade. Além destes citamos Menotti del Picchia, Guilherme de Almeia, Álvaro Moreyra, Prudente de Morais Neto, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Millet, um dos nossos primeiros críticos de arte, ANtônio de Alcântara Machado. Na música, o genial compositor brasileiro que mais tarde haveria de se tornar mais célebre do que Carlos Gomes, mas que foi vaiado pelo público na Semana de Arte Moderna,

Enquanto tudo isso acontecia em São Paulo, no Recife, por volta de 1926, se cultivava um nacionalismo regionalista encabeçado pelo sociólogo Gilberto Freyre. Até hoje, no nordeste predomina a tendência ao figurativismo regionalista sem características futuristas ou modernistas.

02.11.1982

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado A arte moderna chegaria ao Brasil com bastante atraso. Não havia evidentemente os meios de comunicaçãoo que existem hoje e tudo que fosse vanguardismo não encontraria muita receptividade nas camadas sociais conservadoras de uma república relativamente nova. Diga-se de passagem que a Missão Francesa mandada viar ao Brasil por D. João VI, constituiu…

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