O ARTISTA E A UNIVERSIDADE

2–3 minutos

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Archidy Picado

A marginalizacão do verdadeiro artista – pois há as contratações que maculam a legitimidade dos grandes criadores – e a sua incompreensão por parte da sociedade seja esta universitária ou não, é um fato incontestável. Compositores do século passado como Scubert, Chopin, Schumann, poetas malditos como Beaudelaire, Verlain; Rimbaud, Poe, Shelley, Byron, etc, pintores famosos hoje, mas cujas obras foram recusadas pelos salões oficiais e ignorados pela cultura oficial das universidades, a maioria deles considerados pelos burocratas e tecnocratas como visionários e por conseguinte lançados ao mais absoluto ostracismo; exceto na época gloriosa da monarquia européia, assim como no tempo do mecenato da Itália Renascentista quando consultavam aos interesses políticos e satisfaziam a vaidade das poderosas famílias do século XV em diante por todo o Velho Mundo.

Atualmente, ocorre o mesmo com a arte contemporânea. A intolerância acadêmica às inestimáveis produções do espirito humano; isto. porque nos voltamos muitas vezes demagógica e hipócritamente, aos problemas estritamente econômicos – o que não deixa de ter a sua extrema importancia – e nos descuidamos dos valores estéticos e intelectuais. Um tecnocrata pode ser facilmente substituído por um computador, mas um homem de gênio, um criador, este é, sem dúvida, insubstituível. Um Ministro da Educação pode ser substituído por outro mas um Portinari ou um Manuel Bandeira nunca!

O papel das universidades diante da imaginação humana e sua consequente criatividade é da mais alta relevância. Em entrevista a Módulo, Darcy Ribeiro destaca como fundamental o exercício da atividade artistica dentro da univerSidade sem o qual não podera haver crescimento cultural de um povo. O Prof. Darcy, antropólogo, ex-reitor e fundador da Universidade de Brasília, se diz perplexo diante do artista e mais adiante afirma a morte da criatividade pela escola. Segundo suas próprias palavras, se lhe pedem alguns milhares de dentistas ou engenheiros, médicos etc. ele se sente capaz de atender a demanda, porém se lhe perguntam o que fazer com os artistas, ele teria uma sugestão a dar, isto é que estes convivam com os cientistas mesmo que seja apenas, com a suas presenças ou vivências de grandes inovadores ou criadores que são, incorporando as artes às universidades não como simples docência, mas como uma experiência transformadora.

Quanto a nós, o que fazer – perguntamos atordoados e incomodados com as suas “invencionices”- em relação, aos que labutam na área da criatividade? Não seria a arte uma inutilidade ou, na melhor das hipóteses, Hum luxo, algo superflúo e portanto absolutamente dispensável? Talvez devessemos cuidar de coisas mais sérias, como o aperfeiçoamento da engrenagem burocrática – não seria mais importante carimbar documentos? –  ou das pesquisas científicas embora sejam obsoletas e ineficazes? Formulamos mais uma outra pergunta; qué extraordinária descoberta teria a área científica de nossas universidades – referimo-nos as do Nordeste – realizado em contrapartida aos inúmeros valores humanísticos – literários e artísticos – que honram o quadro histórico intelectual do nosso país?

Cremos que os que puxam as rédeas do poder universitário deveriam refletir com mais profundidade neste assunto tão negligenciado por um punhado de incultos administradores.

Sem data

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado A marginalizacão do verdadeiro artista – pois há as contratações que maculam a legitimidade dos grandes criadores – e a sua incompreensão por parte da sociedade seja esta universitária ou não, é um fato incontestável. Compositores do século passado como Scubert, Chopin, Schumann, poetas malditos como Beaudelaire, Verlain; Rimbaud, Poe, Shelley, Byron, etc,…

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