UMA EXPOSIÇÃO NA GAMELA

3–4 minutos

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Archidy Picado

Uma visita eventual à Galeria de Arte Gamela, fomos encontrar um riquissimo e valioso acervo, da mais caracteristica arte brasileira contemporânea. Todos os seus autores são legitimos representantes da atual panorama das’ artes plásticas em nossa terra.

Sob autorizada direção, a galeria Gamela vem demonstrando ao público paraibano e de outros estados, uma rara oportunidade de entrarmos em contato com os valores estéticos mais representativos da nossa arte brasileira que tem tido destaque até mesmo no exterior, a exemplo da recente exposição dos quadros de Flávio Tavares na Alemanha.

Começamos a nossa abordagem crítica com o xilogravador José Altino, cujos trabalhos revelam um suave, lirismo de textura bem determinada, aves em cores atenuadas a sóbrias, com leve contraste, numa simplicidade extremamente livre e de origens que remontam à técnica oriental. Uma única obra de Regis, uma gravura em madeira em cinza e preto com formas de pássaros que se amalgamam em aparentes seres de formas bizarras em dicotomizada abstração.

Gilvan Samico dispensa considerações de ordem critico-estética pela alta qualidade de suas obras, que se encontram evidentemente além de quaisquer interpretações por parte daqueles que se atrevem a escrever sobre uma arte tão subjetiva, ainda que visual, como a do referido artista; são aves, animais, cobras, gente nadando, barcos, figuras místicas e míticas de raizes populares, que alcançam um nível de tratamento ex-tarodinariamente requintado. Alexandre Filho, é um primitivo, que os deslumbra com seu purificado cromatismo, com figuras de santos: São Francisco, Adão e Eva e São Sebastião. J. Crisólogo, apesar de uma forte influência de João Câmara e de Miguel dos Santos, revela-nos certa vitalidade estética e promissor futuro artístico.

Dalva, em seu sublimado primitivismo, mostra-nos um menino Jesus de cabelos encaracolados, enquanto a virgem repousa dentro de uma cesta de flores sobre nuvens escuras a nos lembrar fortes e seguros rochedos. Marcus Pinto apresenta através de seu inconfundível estilo, homens ao lado de armadura medieval, que ao mesmo tempo se entreolham significativamente um deles a pousar o olhar sobre frágil ave e o outro a observar o espectador em desafiadora atitude. Cores discretas, mas quebradas por retângulos de escala cromática. Evidencia-se um certo linearismo. Fogoso corcel também se destaca cavalgado por nórdico por trás de espaços de cores neutras. Raul Córdula, sempre fiel ao seu geometrismo abstrato, de formas alusivas e simbolos cós-micos, as vezes em pura composição construtivista, que nos recorda o grande artista italiano Magneli ou quem sabe, mesmo o nosso Volpi. Superposição de retângulos em escala cromática decrescente e formas em espaços superpostos, de surpreendentes e eficazes com posições. Chico Dantas, com figuras de características quase góticas porém dentro de um tratamento expressivo tecnicamente influenciado por artistas holandeses do século XVII, os quais somente foram atingidos tangencialmente pelo barroquismo italiano. Tota é quase uma marca registrada, com uma escultura popular, como foi a do mestre Vitalino. Suas raizes são dos antigos santeiros do feudalismo escravocrático brasileiro.

Flávio Tavares, apesar de ter se iniciado por uma pintura pós impressionista, porém de traços nitidamente do barroco colonial, com um extraordinário talento e excepcional versatilidade, mostra-nos a sua enorme originalidade em quadros de sutil e suavizante expressividade, com um surrealismo ameno ou com figura de palhaço que se reveste de decorativo cubismo e que nos oferece um semblante de languida ansiedade.

Nos trabalhos maiores deste conhecido artista paraibano, observam-se figuras humanas, em atitudes hieráticas e de vagas recordações maneiristicas. Outras vezes é a pureza técnica que se destaca numa verdadeira simbiose, com uma tradição de arte que tem o seu ponto de partida em Vermeer. Amiúde são sempre formas femininas em esmerado desenho anatômico, na companhia de cervo onicórnio e exuberante pavão.

Chico Pereira nos abre as portas da percepção cósmica, em superfícies de exóticos e estranhos tons violáceos, com formas prismáticas que se projetam em sedutoras e infinitas perspectivas. Num outro quadro, nos faz pensar sobre explosões também cósmicas do artista norte-americano Adolpho Gottlieb.

Não poderíamos finalizar esta apreciação, sem nos referirmos ao Sandoval, cujos quadros a óleo possuem uma contagiante expressividade através de ótima qualidade técnica.

Sem data

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado Uma visita eventual à Galeria de Arte Gamela, fomos encontrar um riquissimo e valioso acervo, da mais caracteristica arte brasileira contemporânea. Todos os seus autores são legitimos representantes da atual panorama das’ artes plásticas em nossa terra. Sob autorizada direção, a galeria Gamela vem demonstrando ao público paraibano e de outros estados, uma…

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