VISITA AO BRENNAND

2–3 minutos

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Archidy Picado

Durante uma série de palestras acerca da História da Arte realizadas no Espaço CUltural, tivemos a oportunidade de ir ao ateliê de cerâmica do renomado artista plástico Francisco Brennand, coroando o término do curso, com uma visita a um dos maiores centros de criatividade no país.

Francisco Brennand, pernambucano, descendente de imigrantes irlandeses, ex-aluno de André Lothe e Fernand Leger em Paris, desenvolve uma atividade artística de raízes igualmente universais de características igualmente regionais. Filho de industrial – fábrica de cerâmica – Brennand que iniciara sua carreira como pintos – trabalho que ele mesmo confessa pretender voltar a realizar – nos últimos vinte anos tem se dedicado inteiramente a difícil arte de moldar os objetos que outrora eram manipulados apenas pelos artifíces ou moleiros. Por conseguinte, Brennand, ao utilizar a argila, transforma este material em imagens oriundas do seu extraordinário talento, criando um mundo místico de surpreendente visualidade. Francisco, com seus sessenta anos bem vividos, com sua vigorosa inteligência falou-nos sobre os grandes mistérios que envolvem seu santuário artístico. Lá, onde ele trabalha arduamente e é um lugar sagrado. Peneira-se nos seus recintos como se estivéssemos num tempo egípcio ou entre monumentos megalíticos pré-históricos. O que mais nos impressiona é a identificação perfeita entre os objetos esculpidos e o ambiente arquitetônico restaurado pelo artista para abrigar uma infinidade de obras de arte. Ali a arquitetura se encontra a serviço da cerâmica, e não ao contrário, como costuma acontecer. Desde as figuras insólitas de Marajó que não víamos esta modalidade de arte elevada a sua expressão mais genuína. Nem mesmo as urnas funerárias egípcias ou gregas atingiram tamanha força de expressão. Infelizmente, porém, vivemos num país como o Brasil, onde não se leva a sério a tradição, a história, numa só palavra, a cultura a qual sempre foi o melhor indício de civilização de um povo. Brennand, contudo, não parece estar preocupado com isso. Sua prolífica imaginação o coloca acima de um imenso caudal de rivalidades. Se ele vivesse na época áurea do Renascimento italiano, em pleno século XV, seria promovido a categoria de gênio, ou pelo menos teria as suas ferramentas de trabalho limpas por um dignário qualquer, que temporariamente segurasse as rédeas do poder. Na verdade, acha-se um pouco esquecido pela cultura oficializada do país, embora seja um nome internacionalmente conhecido. Assim sobrevivem os grandes valores espirituais do Brasil, insto é, na obscuridade. Todavia, Brennand precisa desse isolamento, que não é exterior, mas necessariamente interior. Se ele tivesse o seu templo de arte invadido pelos homens ilustres desta nação, provavelmente jamais teria condições de construir o seu museu particular, livre das interferências burocráticas de uma porção de tecnocratas que nada enxergam além de um palmo do nariz. Esperemos que Francisco Brennand continue imune ao contágio virulento das instituições que sufocam e mutilam os verdadeiros cultores da arte e da cultural.

Sem data

Revisado: Carol – 10.10.2023

Archidy Picado Durante uma série de palestras acerca da História da Arte realizadas no Espaço CUltural, tivemos a oportunidade de ir ao ateliê de cerâmica do renomado artista plástico Francisco Brennand, coroando o término do curso, com uma visita a um dos maiores centros de criatividade no país. Francisco Brennand, pernambucano, descendente de imigrantes irlandeses,…

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